Caminheiros da Gardunha

Caminheiros descobrem altar romano!


Voluntários em acção na IV Gardunha sem Lixo!

No passado Sábado dia 12 de Maio, realizou-se mais uma edição, a quarta, da iniciativa “Gardunha sem lixo!” que visa por um lado mobilizar voluntariado para limpar diferentes locais da Serra da Gardunha, que se encontram afectados por descargas ilegais de lixo, e por outro lado, sensibilizar a opinião pública e alertar as autoridades para este problema.

Desta vez, o local escolhido foi a Portela entre Alcongosta e Alpedrinha, atravessada pela calçada romana, tendo contado com o apoio da Junta de Freguesia de Alcongosta e da Resiestrela, a quem agradecemos encarecidamente a disponibilidade demonstrada desde a primeira hora.

A ocasião foi aproveitada para dar à actividade um âmbito mais abrangente, intervindo também ao nível da reabilitação do percurso pedestre e valorização do património cultural. Assim, não só foram reavivadas as marcações da rota pedestre que passa no local, como ainda foi feita a limpeza e desobstrução do tanque de uma das lagaretas rupestres ali existentes, assim como do troço da via romana que havia sido descoberto durante a nossa 1ª caminhada do ano, em Janeiro último.

A surpresa maior acabou no entanto por ser a descoberta de um altar romano no local! Uma descoberta acidental que foi ao mesmo tempo uma grande recompensa para todos os voluntários presentes.


Momento da descoberta do altar romano

Trata-se de uma ara, um altar, talhado num bloco de granito de grão fino, esculpido com muita mestria, e no qual foi gravada uma inscrição. Esta refere aparentemente um nome feminino: BOUTIA. Trata-se de um nome feminino indígena, podemos dizer de forma simplista que se trata de um nome lusitano, muito comum nesta parte da região durante a época romana. É um claro indício da integração cultural da população local nos costumes latinos.

Dado o local do achado, estaremos também em presença do nome mais antigo de um habitante, neste caso uma habitante, do actual território da freguesia de Alcongosta.

 

Por outro lado, a diferença entre a perfeição dos acabamentos da ara e a irregularidade do texto, sugere que a ara terá sido comprada numa oficina que produzia este tipo de peças, tendo o texto sido gravado num local diferente, talvez até no próprio local do achado, onde existiria uma família ou comunidade rural.

Esta descoberta vem reforçar a origem romana da calçada e, ao mesmo tempo, é um contributo importante para a composição do mapa de ocupação do território da Gardunha e região envolvente durante a presença romana. Em articulação com as estruturas existentes nas imediações, esta ara vai obrigar-nos a olhar com outros olhos para este pedaço da Serra da Gardunha.

A ara foi de imediato entregue ao Museu Arqueológico do Fundão, a cuja equipa caberá agora a tarefa de estudar a peça assim como o seu contexto. Em breve poderemos admirá-la na galeria epigráfica desta instituição.

Estamos todos de parabéns!